Alegrete, cidade histórica na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, guarda surpresas que muita gente nem imagina. Entre campos abertos, rio tranquilo e céu que parece não ter fim, o município mistura tradição gaúcha, memória militar e um clima acolhedor de cidade do interior. Quem passa correndo pela BR não faz ideia do quanto dá para viver e sentir por aqui.
Neste artigo, você vai conhecer a história de Alegrete, seus principais pontos turísticos, as festas mais famosas e o que fazer em um fim de semana pela região. Vamos falar de cavalgadas, churrasco de campanha, patrimônio histórico, gastronomia típica e daqueles cantinhos simples que marcam a viagem. Se você gosta de destinos autênticos, longe do óbvio, Alegrete pode ser exatamente o que estava faltando no seu roteiro.
Alegrete: história, cultura gaúcha e principais pontos turísticos
Passado de fronteira e marcos da formação
A história de Alegrete começa marcada pela condição de fronteira, entre estâncias, rotas de tropa e disputas territoriais. O antigo povoado se consolidou em torno das fazendas de criação de gado e dos caminhos que ligavam o interior do Rio Grande do Sul ao Uruguai e à Argentina. Nomes de batalhas e líderes militares ainda ecoam em monumentos, placas de rua e memoriais espalhados pelo município, lembrando períodos de conflitos e de afirmação do território gaúcho.
Ao caminhar pelas áreas mais antigas, é fácil perceber como o traçado urbano guarda referências do século XIX: casarões com fachadas altas, janelas emolduradas e miúdos detalhes em ferro forjado. Muitas dessas construções surgiram com o crescimento das atividades ligadas ao gado, ao comércio de charque e à circulação de tropas, elementos centrais para entender o papel de Alegrete na formação histórica da região da Campanha.
Expressões da cultura gaúcha no dia a dia
O modo de viver em Alegrete respira cultura gaúcha em gestos simples: o chimarrão que roda na roda de amigos, o assado de chão no fim de semana, a bombacha no corpo de quem sai cedo para o trabalho no campo. As entidades tradicionalistas, como os CTGs, mantêm viva a memória dos antepassados com fandangos, concursos de dança, declamação e tertúlias. Em setembro, o clima muda: bandeiras tremulam, as cavalgadas ganham as ruas e as prendas desfilam com vestidos coloridos, em honra à Semana Farroupilha.
A música regional também tem espaço forte. Milongas, vaneiras e chamamés ecoam em galpões, bares e eventos ao ar livre, muitas vezes com letras que citam o Ibirapuitã, o minuano e a solidão do campo. Essas referências, tão ligadas à paisagem local, ajudam a construir um sentimento de pertencimento. Para quem chega de fora, ver um baile animado, com pares girando ao som da gaita e do violão, é uma forma direta de entrar em contato com o imaginário gaúcho vivido em Alegrete.
Pontos turísticos que contam histórias
Os principais pontos turísticos de Alegrete dialogam com esse passado e com a cultura campeira. O marco da antiga estação ferroviária, por exemplo, guarda memórias de um tempo em que o trem ligava a cidade a outras regiões do estado, escoando produção e trazendo novidades. Já as praças centrais reúnem esculturas, bustos e chafarizes que contam, em silêncio, episódios políticos, bélicos e cívicos importantes para a comunidade local.
Nas margens do rio Ibirapuitã, áreas de lazer convidam a caminhadas e rodas de chimarrão ao entardecer, com o céu amplo típico da Campanha se refletindo na água. Em alguns pontos, pequenas trilhas levam a mirantes discretos, ideais para observar a paisagem ondulada ao redor. Visitas a museus municipais, a prédios públicos históricos e a igrejas mais antigas completam o roteiro, ajudando a montar, pedaço por pedaço, o mosaico da história e da cultura de Alegrete.
O que fazer em Alegrete: roteiros, festas tradicionais e gastronomia
Roteiros ao ar livre entre campo e rio
Para começar a explorar Alegrete, vale apostar nos programas que aproveitam o cenário típico da Campanha. As margens do rio Ibirapuitã são ponto certo para caminhadas, pedaladas leves e chimarrão ao fim da tarde. A luz do pôr do sol, batendo no espelho d’água, cria um clima calmo que combina com piqueniques, fotos e conversas demoradas. Em dias mais quentes, alguns trechos permitem até molhar os pés e sentir o frescor da correnteza.
Quem gosta de estrada de chão encontra opções de passeios por estâncias vizinhas, com campos largos, coxilhas suaves e rebanhos de gado compondo a paisagem. Muitas propriedades abrem espaço para cavalgadas guiadas, visitas a mangueiras e experiências ligadas ao cotidiano campeiro, como acompanhar a lida com o gado ou observar o manejo de ovelhas. É uma forma direta de entender o vínculo do município com o pampa e com a vida no interior.
Festas que movimentam o calendário alegretense
O calendário de Alegrete é pontuado por festas que reúnem moradores da cidade e da zona rural. Em setembro, a Semana Farroupilha transforma ruas, praças e galpões em cenário de desfiles, cavalgadas e apresentações artísticas. Os CTGs organizam fandangos, tertúlias e concursos, enquanto as escolas preparam trabalhos temáticos sobre a história do Rio Grande do Sul. Para quem participa, é uma imersão intensa na cultura local, com lenços, bombachas e vestidos rodados dominando a paisagem urbana.
Ao longo do ano surgem outros eventos, como rodeios crioulos, feiras agropecuárias e encontros de música regional, que reúnem prendados, peões, laçadores e artistas de toda a fronteira oeste. Esses encontros costumam trazer provas campeiras, shows nativistas, exposições de artesanato e espaço para pequenos produtores rurais divulgarem seus produtos. A cidade ganha outro ritmo, com visitantes circulando pelas ruas, bares cheios e movimentação extra em hotéis e pousadas.
Sabores campeiros e mesas fartas
A gastronomia de Alegrete gira em torno da carne bem feita e da cozinha campeira. Churrascarias, galpões e restaurantes simples servem costelão assado lentamente, vazio, matambre e linguiças artesanais, quase sempre acompanhados de saladas frescas, arroz carreteiro ou feijão gordo. Em muitos lugares, o fogo de chão segue firme, com espetos fincados na terra e o aroma da brasa se espalhando pelo bairro.
Além do assado, vale procurar casas que oferecem pratos como entrevero de carne, puchero, polenta com guisado e o tradicional arroz de carreteiro feito com sobras de churrasco. Padarias e confeitarias do centro costumam ter cucas, grostolis e sonhos recheados, ótimos para uma pausa no meio do passeio. Em cafés e bares, o chimarrão divide espaço com cervejas locais e vinhos da região, criando um clima acolhedor para quem chega da estrada e quer, antes de tudo, sentar, comer bem e sentir o compasso tranquilo de Alegrete.
