Ijuí: descubra agora por que essa cidade gaúcha surpreende tanto

Ijuí, cidade do noroeste do Rio Grande do Sul, é daquelas surpresas boas que a gente não espera. Quem passa apressado pela região muitas vezes não imagina a mistura rica de culturas, a força da agricultura e a vida universitária que movimentam o município. Aqui, tradição gaúcha, imigração europeia e um espírito acolhedor se encontram nas ruas, nas festas e no jeito simples de viver.

Neste conteúdo, você vai conhecer melhor a história, cultura e curiosidades de Ijuí, entender por que ela ganhou fama de “Terra das Culturas Diversificadas” e descobrir o que realmente faz essa cidade ser diferente das outras da região. Vamos falar sobre os principais bairros, a economia, os costumes e detalhes que só quem mora ou visita com calma consegue perceber.

Depois, vamos explorar o que fazer em Ijuí: das praças e espaços culturais aos eventos tradicionais, como a Expo-Ijuí e a Fenadi, passando por opções de lazer, gastronomia e passeios simples que valem a pena. A ideia é que você termine a leitura com vontade de colocar Ijuí no seu roteiro — ou de olhar a sua própria cidade com outros olhos, se já vive por aqui.

Ijuí: história, cultura e curiosidades que você precisa conhecer

Raízes indígenas e a formação do território

Antes de ganhar ruas asfaltadas e prédios altos, a região de Ijuí era ocupada por povos indígenas, em especial grupos guarani e kaingang. As margens de arroios e pequenas elevações do relevo serviam como áreas de circulação, caça e troca. Quando os colonizadores chegaram, boa parte desse conhecimento do território foi apagado, mas muitos topônimos, trilhas antigas e hábitos de uso da terra ainda revelam a presença originária na paisagem local.

A partir do final do século XIX, com a expansão da colonização no noroeste do Rio Grande do Sul, o governo estimulou a chegada de imigrantes europeus. Italianos, alemães, poloneses e outras etnias foram se fixando em lotes rurais ao redor do núcleo que hoje corresponde ao centro de Ijuí. Essa ocupação em faixas, cortadas por estradas de chão batido e cercas de pedra, moldou as linhas do município e ajudou a desenhar o mapa atual.

As antigas picadas que ligavam colônias e pequenas capelas acabaram se transformando em avenidas e vias de circulação importantes. A BR-285, por exemplo, segue em parte o eixo dessas rotas de passagem, conectando Ijuí a Santa Maria, Panambi e São Luiz Gonzaga. Assim, a malha urbana contemporânea é também um registro vivo das escolhas territoriais feitas há mais de cem anos.

Cidade das etnias e convivência cotidiana

Um dos traços mais marcantes da identidade de Ijuí é o convívio de diferentes descendências em um espaço relativamente compacto. No dia a dia, isso aparece menos em discursos formais e mais em detalhes simples: a padaria que vende cuca alemã ao lado do restaurante com comida típica italiana, o salão de festas com chimarrão sempre pronto e, logo adiante, o clube de danças de origem polonesa ou austríaca.

As chamadas “casas étnicas”, instaladas no Parque de Exposições Wanderley Burmann, sintetizam essa convivência. Durante eventos como a Fenadi, cada grupo monta espaços próprios com gastronomia, música e decoração característica. Porém, fora dos dias de festa, esse encontro acontece nos bairros, nas escolas, nas cooperativas e até nas filas de mercado, onde sobrenomes variados se misturam com sotaques diferentes, mas um mesmo jeito interiorano de conversar.

Essa diversidade também se reflete nas igrejas de várias denominações, nos grupos de dança folclórica e nas bandas locais que tocam de bandinha típica a rock nativista. Nas últimas décadas, novos fluxos migratórios — como estudantes de outras regiões atraídos pela universidade e profissionais da área da saúde — ampliaram ainda mais o mosaico cultural, trazendo vocabulários, gostos musicais e hábitos urbanos diferentes para o cotidiano ijuiense.

Patrimônios, memória e novas gerações

Prédios históricos espalhados pela cidade ajudam a contar a trajetória de Ijuí. Construções antigas, como casarões de madeira e alvenaria no centro e em bairros tradicionais, preservam fachadas com ornamentos, janelas altas e varandas extensas. Mesmo quando passam por reformas, muitos mantêm traços arquitetônicos da colonização europeia e da fase de crescimento do município na primeira metade do século XX.

Instituições como o Museu Antropológico Diretor Pestana e arquivos municipais guardam acervos de fotografias, documentos e objetos do cotidiano, que registram a transformação de um pequeno núcleo rural em polo regional de serviços, educação e saúde. Visitas escolares frequentes indicam que parte das novas gerações tem contato com essa memória, relacionando relatos de avós e bisavós com o que veem nos corredores do museu.

Ao mesmo tempo, coletivos culturais jovens, grupos de teatro, bandas independentes e projetos ligados à universidade vêm propondo novas leituras da história local. Murais, intervenções artísticas e produções audiovisuais trazem narrativas diferentes sobre Ijuí, destacando temas como diversidade, vida estudantil, periferias e o papel do interior no cenário gaúcho atual. O resultado é uma identidade em constante atualização, onde passado e presente disputam e compartilham espaço no imaginário da cidade.

O que fazer em Ijuí: atrações, eventos e dicas para aproveitar a cidade

Passeios a pé e rotina nas ruas centrais

Quem circula pelo coração de Ijuí percebe rápido que boa parte das atividades acontece em torno da Rua do Comércio e das vias próximas. Caminhar por ali é observar vitrines, parar para um chimarrão na praça e resolver a vida em poucos quarteirões. Bancos, lojas, lancherias e serviços de todo tipo se se misturam ao fluxo de estudantes e trabalhadores que chegam de bairros e cidades vizinhas, geralmente em ônibus intermunicipais que param perto do centro.

A Praça da República funciona como ponto de encontro. Em dias de sol, famílias aproveitam os brinquedos, idosos fazem caminhada leve e grupos de amigos se reúnem em torno do mate. Nas calçadas largas, ambulantes vendem pastel, cachorro-quente e pipoca, enquanto ciclistas e pedestres dividem espaço com calma. À noite, a iluminação da praça e do entorno cria um clima mais tranquilo, ideal para uma volta depois do expediente.

A poucos minutos dali, o entorno da universidade movimenta outra rotina. Bares simples, repúblicas estudantis e pequenos mercados atendem quem mora ou estuda por perto. Em época de provas e eventos acadêmicos, não é raro ver grupos de estudantes ocupando mesas na calçada, misturando conversas sobre trabalho, futebol e política com planos de fim de semana.

Parques, esportes e respiros de verde

Apesar do perfil urbano, Ijuí conserva áreas verdes que fazem parte da rotina de quem gosta de se mexer. O Parque da Pedreira é um dos espaços mais lembrados para caminhadas, corridas leves e passeios em família. As trilhas, cercadas por árvores nativas, permitem desligar um pouco do barulho da BR-285 e da correria do centro. Muitos moradores usam o local como “pista” diária para manter o condicionamento físico, principalmente no começo da manhã e no fim da tarde.

Nos bairros, campos de futebol de várzea e quadras poliesportivas têm papel parecido. Finais de semana costumam ter rodada de futebol amador, com times formados por colegas de trabalho, vizinhos e parentes. Não faltam churrasqueiras improvisadas, caixas de som e crianças correndo ao redor do gramado. As escolinhas de esportes da prefeitura e de clubes locais também dão vida a esses espaços, formando novas gerações de atletas e fortalecendo laços entre famílias.

Para quem prefere um programa mais leve, muitas ruas residenciais de Ijuí ainda permitem caminhadas seguras no fim do dia. É comum ver vizinhos conversando nos portões, cadeiras de fio na calçada e crianças brincando de bicicleta nas quadras menos movimentadas. Essa sociabilidade simples, típica de cidade interiorana, acaba sendo uma das principais formas de lazer cotidiano.

Eventos, feiras e a agenda que marca o ano

A rotina urbana muda de ritmo quando chegam eventos como a Expo-Ijuí e a Fenadi, no Parque Wanderley Burmann. Durante esses períodos, o fluxo de moradores se desloca em peso para o parque. Quem normalmente passa as noites em casa ou no centro passa a circular entre estandes, shows regionais, apresentações artísticas e espaços das casas étnicas. Vendedores ambulantes, produtores rurais e pequenos empreendedores reforçam a renda em poucos dias, aproveitando o grande movimento de visitantes.

Ao longo do ano, feiras do livro, eventos religiosos, rodeios, festas escolares e campeonatos esportivos também pontuam o calendário da cidade. Cada bairro acaba criando sua própria programação, com festas de comunidade, almoços beneficentes e ações em ginásios e salões paroquiais. Assim, o “o que fazer em Ijuí” não se resume a pontos fixos, mas a sucessão de encontros que se espalham pelos diferentes cantos do município.

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